23.2.06

Brigar com o vento

Às vezes pergunto-me a mim mesma que raio de guerra é esta onde entrei. E se merece a pena. E porque raio haveria eu de ter este feitio, que nunca me permitiu aceitar as coisas só porque sim. Estas considerações lembraram-me o meu pai. É um homem que sempre aceitou os reveses da vida com uma resignação peregrina. Os dias seguiam-se uns iguais aos outros, numa rotina já sem cor, de casa para o trabalho e vice-versa. Todos os dias. Nunca me lembro de o ver faltar ao emprego. E no dia que soube estar já aposentado acabou o horário até ao fim. Depois de estar em casa, após uns tempos de inactividade, poucos, vi-o levantar-se e começar a fazer coisas com que sempre sonhara. Projectos que só então soube existirem. E, do alto dos seus sessenta e muitos, vi surgir, com entusiasmo, um homem renovado. Com vontade de fazer coisas novas, aberto ao conhecimento. E pensei nele porque acho que ele ganhou a guerra, à sua maneira. E quando revejo todo o meu percurso de vida, apercebo-me das minhas fraquezas e vejo-me numa batalha permanente, brigando com o vento numa batalha perdida à nascença. E hoje senti-me patética, fraca. Não gosto de mim hoje…